
Empresa
Palace Museum & IBM
Enfoque da estratégia
Produto: o Palace Museum de Pequim e a IBM acabam de lançar um projeto extremamente ambicioso desenvolvido nos últimos 3 anos e intitulado ‘Além do Espaço e do Tempo’. Trata-se do ‘Cidade Proibida Virtual’, uma emulação em 3D interativo que permite ao usuário realizar uma visita virtual com riqueza de detalhes à famosa Cidade Proibida, um dos grandes tesouros da humanidade. Além de passear pela famosa construção, o usuário pode interagir com outros visitantes, bem como assistir encenações de situações curiosas da cultura chinesa antiga.
Tecnologia aplicada
Emulação em 3D interativo: o acesso à Cidade Proibida Virtual é obtido por meio de um software desktop conectável à internet, que pode ser baixado do site do projeto. É necessário que se crie uma conta de usuário, gerando login e senha individuais. Uma vez que o aplicativo esteja instalado no PC e a conta criada, o usuário pode acessar o ambiente virtual, criando um avatar para representá-lo. O internauta então é capaz de caminhar pela cidade, interagir com objetos, capturar imagens, salvar locais favoritos e compartilha-los com amigos na comunidade do projeto, consultar guias turísticos e conversar com outros usuários, todos representados por avatares.
Integração da estratégia ao mix
- Preço: o acesso ao software e ao ambiente virtual é completamente gratuito. O projeto é subsidiado pela IBM, como uma iniciativa de promover a cultura chinesa ao redor do mundo. A moeda de troca é a ficha cadastral que o usuário preenche para criar sua conta de acesso.
- Promoção: o website do projeto é a sua principal ferramenta promocional. É neste ambiente que são apresentadas as características do produto, através de vídeos, textos e fotos. Além disso, a IBM fez uso intenso de RP, uma vez que o projeto obteve mídia espontânea nos principais periódicos do mundo.
- Praça: o software de acesso à Cidade Proibida Virtual é distribuído no site do projeto. Não há restrições geográficas para acesso ao ambiente, embora haja segmentação por idioma (inglês e chinês) e uma restrição natural tecnológica, já que é necessária uma máquina com boa capacidade de processamento para rodar o aplicativo.
Opinião do blogueiro
Antes de comentar o projeto dos chineses com a IBM é preciso fazer uma ressalva: a emulação virtual de ambientes reais na internet não é uma idéia nova. Afirmo isso com conhecimento de causa: em 2001 participei de um projeto chamado Jurerê Virtual, que era exatamente uma tentativa de replicação em 3D interativo na web de parte do empreendimento Jurerê Internacional, do Grupo Habitasul. Neste projeto havia características bem similares à Cidade Proibida Virtual, como (1) a possibilidade de caminhar pelo ambiente e (2) a delimitação de pontos turísticos para direcionamento do usuário. Por outro lado, não dispunha de características 2.0, os avatares e a interação com outros usuários, herança dos metamundos recentes, como o Second Life e afins. O fato é que o projeto existiu, mas a pouca disponibilidade de acesso via banda larga na época foi certamente o principal empecilho de sua evolução.
Isso posto, é preciso contextualizar a aplicação e aplicabilidade de tal tipo de tecnologia, para que projetos ambiciosos como a Cidade Proibida Virtual, não vão parar no lixo, por absoluta falta de compreensão de sua utilidade. Como, alias, também foram parar o Jurerê Virtual e o Second Life. A recriação virtual de um mundo físico só pode ser justificada pelas seguintes justificativas: (1) o ambiente a ser recriado não existe mais ou (2) o ambiente a ser recriado é de difícil acesso. A uma destas premissas deve ser unida, necessariamente, outra: o ambiente a ser recriado é de interesse de um grande número de pessoas. Se tais princípios não foram seguidos, o fracasso é certo. E, ainda se forem seguidos à risca, nada garante que o projeto vai dar certo.
Portanto, é com base nestes argumentos que eu acredito em projetos como a Cidade Proibida Virtual. Mas vejam bem: como a Cidade Proibida Virtual! Não pensem em fazer isso dos seus empreendimentos e das instalações de sua empresa, que estão a curto alcance dos usuários no mundo real. Mas imaginem, por outro lado, o valor de um projeto assim no meio educacional. Que oportunidade teria um favelado brasileiro, por exemplo, de conhecer maravilhas da humanidade, como a Cidade Proibida no mundo real? Agora ele e outros milhões em todo o mundo também podem, viajando no espaço e no tempo, sem sair do lugar.
Arquivado em: Produto | Etiquetado: 3D, metamundo, turismo, virtual
Acho até bacana esse projetos de jogos em 3D pelo computador, mais sempre para joga um jogo desse, é precisor de um PC foda e uma internet bem rápida. Coisa que não vai encontra em uma lan house na favela…
Rodrigo,
obrigado pela visita e comentários. Na verdade o ‘Cidade Proibida Virtual’ não é um jogo. É apenas a emulação digital de um ambiente real. Não exige, portanto, hardware tão robusto, pois não há muitos objetos para renderizar simultaneamente. Tanto é que eu acessei com meu velho Sempron 2600, com 256 MB de RAM e uma placa de vídeo NVidia de 128 MB. Enfim, uma máquina ano 2004. Nada que não tenha em qualquer lan-house, assim como acesso de banda larga.
Abs!